Os Iniciantes — 20/07/11
Maurício Richartz e os Buracos Negros

O tema é abstrato, as deducões, indiretas e os experimentos, simulações.

O jovem cientista Maurício Richartz formou-se em Física pela Unicamp em 2006. Assim que terminou, emendou um doutorado, concluído e defendido em março deste ano. Richartz foi um aluno dedicado durante a faculdade, conseguiu tirar boas notas e sempre preferiu estudar a teoria à testar os experimentos na prática. Por isso se animou em pesquisar sobre os Buracos Negros, um tema intrigante centrado quase todo em hipótesis e fórmulas matemáticas, deduções indiretas e simulações.

Ciensacional: Qual é a sua tese de doutorado?

Maurício Richartz: Tunelamento Quântico e a Conjectura da Censura Cósmica.

Ciensacional: Por esse nome parece um pouco complicado de entender. Poderia explicar de forma breve?

Maurício Richartz: Claro. Tunelamento Quântico é um fenômeno da física mecânica, quando partículas interagem com outras formando barreiras de energia. A probabilidade de uma partícula passar depende da energia ser maior ou menor que a barreira. Já para entender a Conjectura da Censura Cósmica é preciso saber que existem singularidades que todo Buraco Negro tem. É ali onde a teoria não vale e não se consegue prever o que vai acontecer. Então, de certa forma, o Buraco Negro protege o resto do Universo dessas singularidades, que não deveriam existir. O que estou tentando provar em minha tese é se essa Conjectura é verdadeira ou falsa.

Ciensacional: Com certeza os Buracos Negros são um dos assuntos mais intrigantes e misteriosos da Física. Não são todos que encaram estudá-los, não é mesmo?

Maurício Richartz: Muita gente só sabe que os Buracos Negros são um “lugar escuro” no espaço do qual nada que entra consegue escapar, nem mesmo a luz. Mas entendê-los e provar a existência deles é muito complicado, quase todo o trabalho é baseado em teorias e conjecturas, como eu expliquei.

Ciensacional: Quando começou o seu interesse por esse assunto?

Maurício Richartz: Foi no 2º ano da faculdade, escolhi o tema para a minha iniciação científica. Mas na época só conseguiu tratar das questões matemáticas que envolvem o assunto.

Ciensacional: Isso te desanimou de alguma forma?

Maurício Richartz: Não mesmo. Sempre gostei mais dos cálculos e da parte teórica da física. Mas hoje valorizo os experimentos científicos, se forem necessários para novas descobertas. Quando passei um ano do meu doutorado em Vancouver, no Canadá, participei de uma equipe que realizou experimentos práticos simulando alguns aspectos de um buraco negro, utilizando água como meio de propagação.

Ciensacional: Mas como é esse experimento, poderia descrevê-lo?

Maurício Richartz: Utiliza–se basicamente um tanque de água, um equipamento para fazer ondas de 2 milímetros de altura, um raio laser e uma daquelas câmeras fotográficas super rápidas. Experimentos como esse são chamados Modelos Análogos de Gravitação, pois buscam estudar fenômenos de buracos negros em outros sistemas bastante diferentes. A ideia da relação do ambiente espacial com a água, na verdade, é de 1981. Porém a primeira vez que fizeram o experimento dessa forma foi na França, em 2008. Mas no laboratório em que eu estive, no Canadá, em 2009, as medidas foram mais precisas e os resultados mais significantes.

Ciensacional: E quais resultados são esses?

Maurício Richartz: Resumidamente falando, foi possível verificar, através da análise das fotografias em computador, a criação de um tipo especial de onda a partir de ondas inicialmente se propagando na água. É o análogo da famosa radiação Hawking, descoberta por Stephen Hawking em 1974. Na verdade, o experimento testa a existência da radiação Hawking e não de buracos negros.

Ciensacional: E isso indica que radiação Hawking existe?

Maurício Richartz: Não necessariamente, mas é um grande indício.

Ciensacional: E os buracos negros, existem? Maurício Richartz: Buraco negro é um tema bastante abstrato, quer dizer, tem pouca prova concreta. As deduções são feitas por vias indiretas e os experimentos, como eu disse, são simulações. Aqueles com água são excessões. Claro que o estudo e a pesquisa trazem progresso científico, mas infelizmente não tem grandes aplicações práticas para a sociedade atual. Por isso, às vezes, pode parecer frustrante estudar a teoria de alguma coisa difícil de se provar na prática.

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Sobre o Autor

Noemi

Tenho 23 anos e sou jornalista. Preocupo-me em produzir notícias com conteúdo relevante, interessante, curioso e, se possível, multimídia. Meus assuntos preferidos são ciência, meio-ambiente, cultura e arte. Também gosto bastante de ver filmes e tirar fotos. De vez em quando escrevo minhas impressões sobre o mundo, em prosa ou em poesia.

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