A curiosidade que move Amaury

Você sabe por que o sol é amarelo?

“Quando eu era criança, fazia perguntas como essa para meu pai que, sem o ensino médio completo, não sabia o que responder”. Hoje Amaury Moitinho tem 28 anos e, desde 2004, faz física na Unicamp. Sim, ele está há 7 anos e meio na faculdade. E não pense que isso é um problema para ele, que, na verdade, queria fazer engenharia.

Parece tudo muito confuso, não acha? Mas calma que ele explica. Amaury estudou em escola pública até a 8ª série (hoje 9º ano) e fez o ensino médio em uma particular. Fez curso técnico de mecânico no SENAI e, por isso, começou a trabalhar na multinacional Bosh . “Dentro da empresa eu queria fazer engenharia. A vontade só passou quando notei que o grande barato que via na profissão, de fazer e planejar as máquinas, não fazia parte dos engenheiros da empresa”, confessa ele. A função criativa era trabalhos dos alemães que enviavam o projeto já pronto para o Brasil e os engenheiros da empresa apenas o colocavam em prática. Com isso, o sonho de ser engenheiro foi por água abaixo. Mas logo ele descobriu que na física poderia satisfazer seus objetivos e teria as tão esperadas respostas para suas perguntas.

Amaury Moitinho durante a entrevista ao Ciensacional

Amaury, como já deu pra perceber, sempre foi muito curioso. “Eu me inspirava no Beakman” diz ele, todo sorridente. Pode se acalmar se você não sabe quem é esse. Beakman é um cientista que faz parte de um programa de TV, onde faz experimentos e mata muitas curiosidades. O todo espirituoso cientista conta com a ajuda de uma assistente igualmente divertida e um rato mais engraçado ainda. Não estamos aqui para fazer propaganda do programa, mas se você nunca viu vale a pena conferir e aproveitar que “O Mundo de Beakman” voltou a ser exibido este ano pela TV Cultura diariamente às 14 horas.

Bom, vamos voltar à história do curioso Amaury. “Na época em que prestei o vestibular, a Unicamp oferecia a licenciatura em física apenas no período diurno. Mas como eu precisava trabalhar, optei pelo noturno, que era o bacharelado”, explica o físico. Cumpridos três anos de curso, a universidade disponibilizou a licenciatura à noite e lá foi ele transferir. A decisão contou com algumas ponderações e ele explica a principal delas: “A formação de bacharel exigiria depois um mestrado, doutorado, pós doutorado… Ou seja, eu começaria mesmo a carreira bem mais velho do que pretendia”. Além disso, a licenciatura poderia garantir um emprego com carteira assinada e outros direitos trabalhistas, diferente do bacharel que ganha bolsa de estudos.

Tomada a decisão, a área pedagógica que fazia parte da grade despertou nele o dom de dar aula. Na verdade Amaury estava um tanto familiarizado com a idéia de ser professor. “Já tinha dado aulas de ensino religioso na igreja que freqüentava quando menor”, explica. Agora ele trabalha como plantonista da Oficina do Estudante, onde atende dúvidas de alunos do ensino médio e até do cursinho. Como é jovem, a geração dele e dos alunos é quase a mesma e a linguagem também, facilitando o contato e, lógico, o entendimento. Amaury é o Beakman nos seus plantões: explica na prática aquelas fórmulas que deixam alguns de cabelo em pé. Segundo ele, a prática das teorias é muito importante para sair da decoreba. E para ele isso era válido também na escola, porque, diferente de vários colegas de classe, as aulas em laboratórios o interessavam, provando que a aplicação dos cálculos em situações reais é fundamental e é justamente ela que deixa a física interessante.

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Sobre o Autor

Laura

Aos 21 anos sou uma jornalista curiosa e sempre quero descobrir mais de assuntos interessantes em diversas áreas. Sem imaginar que faria um trabalho sobre ciência, estou maravilhada pela imensa gama de curiosidades que isso me trouxe! Meu dinamismo impede que eu já saiba com o que mais gosto de trabalhar, mas sou aficionada por fotografia, revistas, viagens e sou uma "puxadora de papo" incorrigível!

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