“Um quadrado cheio de números. Quem não vai odiar?”
Artur Gower tem 25 anos, mas ainda cedo descobriu com o que queria trabalhar. “Aos 8 anos de idade fui apresentado a um programa em que se aprendia como um sapo andava na tela. Aí eu soube que queria programar computador! Depois, no Ensino Médio, tive física. Aquelas leis de movimento, para modelar objetos caindo, atirando mísseis e pensei ‘é ótimo, é isso que eu quero unir com programação’”, conta Artur.
Mais tarde a sua dificuldade foi descobrir qual curso seria o mais indicado para por em prática aquilo que queria, como acontece com muita gente. Depois do colegial, entrou na Unicamp no chamado Cursão – nome no aumentativo porque reúne todos os alunos que escolhem entre Física, Matemática ou Matemática Aplicada e Computacional. Durante o início da faculdade, todos cursam as disciplinas básicas comuns e assistem a uma serie de palestras que mostram as características e o campo de atuação de cada área. Isso garante uma flexibilidade e dá aquela segurança maior na hora de fazer a escolha.
“Foi no Cursão que eu descobri que física não era o caminho, então me apaixonei por Matemática Aplicada e Computacional”. Segundo ele, trata-se de uma matemática totalmente diferente da que se aprende no Ensino Médio, principalmente porque ela tem um sentido mais concreto. “Antes, matemática era só conta, álgebra, aquele negócio chato de encontrar raiz, nunca imaginei que faria”, confessa ele. Um bom exemplo é a maneira como se ensina Matriz: “mostra-se como um quadrado cheio de números. O que é isso, um quadrado cheio de números? Quem não vai odiar? Se alguém gosta, talvez tenha problemas, porque só números em um quadrado não tem vida e aí está o problema: não colocam vida na matemática”, desabafa o jovem matemático.
Gower completa sua lógica: “pense que fantástico: a matriz é algo que pode ser utilizado para rotacionar objetos no ar, movimentá-los e decompor os movimentos complexos em outros mais simples. Bem diferente do que se vê por aí, algo sem significado. Falta o incentivo da liberdade criativa. O que se aprende no Ensino Médio e o que realmente as pessoas lembram, quase não se usa depois. A capacidade de abstrair, ser criativo, pensar logicamente é o que você leva com você, o resto esquece, não tem importância nenhuma”, conclui.
Artur Gower gosta tanto do curso que optou por continuar na faculdade, seguir carreira acadêmica. Hoje ele já tem um Mestrado e está prestes a começar um Doutorado na Irlanda.
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