Entenda como esse lugar pode oferecer ótimas oportunidades de trabalho.
Um tecnopolo reúne em seu entorno diferentes atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (abreviado como P&D) em tecnologia. Pode ser uma cidade que possua institutos e centros de pesquisa, empresas tecnológicas, universidades – entidades que se complementam.
Vamos a um exemplo prático! Um dos tecnopolos brasileiros é a cidade de Campinas. Ela reúne em seu território o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), o Instituto de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), uma unidade Embrapa, entre outros (ufa!). Essa estrutura está em sintonia e trabalha junto com as universidades ao redor, principalmente com a Universidade de Campinas (Unicamp).
Esse vídeo, feito por nós, explica mais sobre a história do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, que abriga diversos laboratórios de P&D em Campinas, um deles o já mencionado Luz Síncrotron.
Campinas têm recebido investimentos de multinacionais, com enfoque na área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) – empresas que lidam com equipamentos de telecomunicações e informática. Isso se deve não só à presença de outras grandes empresas (como a IBM, Lucent, Samsung, Nortel, Compaq, Motorola, Dell, Huawei, Bosch), mas também à proximidade que o local tem com os grandes mercados consumidores, a infra-estrutura já existente para esse investimento e colaborações estabelecidas com a mão de obra qualificada – que vem da universidade.
Essa interação que o tecnopolo oferece ajuda a desenvolver também pequenas e médias empresas. Às vezes, fundada por alunos dos centros acadêmicos, outras simplesmente por ter acesso às tecnologias divulgadas. Um exemplo interessante é o caso da Opto Eletrônica – empresa com foco no mercado de alta tecnologia, aeroespacial e de defesa. Foi fundada em 1985, por meio de uma associação de professores que lecionavam na USP de São Carlos (todos do instituto de física). E, de acordo com a revista Exame, vigora no ranking das empresas que mais cresceram no país entre 2003 e 2006.
Campinas já recebeu o apelido de “Vale do Silício Brasileiro”, uma alusão ao verdadeiro Vale do Silício localizado na Califórnia, Estados Unidos. Lá, em meados da década de 50, empresas de tecnologia se instalaram para gerar inovações científicas e tecnológicas, na área de computação e informática. Destacaram-se na produção de semicondutores, chips, e tinham como principal matéria prima o Silício – daí o nome do Vale. Depois dessa fase, sempre com foco em tecnologia, passaram a inovar com empresas de equipamentos de telecomunicações, computadores, software e internet. Inclusive as empresas que atuam nas mídias sociais, twitter, facebook, e linkedIn, estão lá localizadas. Ele é aberto à ação de estrangeiros empreendedores e tem uma das características principais de um tecnolopólo – é rodeado de boas instituições de ensino.
O Brasil possui outras cidades consideradas tecnopolos. São Carlos tem um parque tecnológico que reúne universidades importantes, como USP de São Carlos, UFSCar. Abriga um Centro de Pesquisas Embrapa, o Centro Empresarial de Alta Tecnologia, Centro de Inovação Tecnológica e outros mais.
Um estudo da Fapesp, organizado por Renato de Castro Garcia, ressalta um aspecto interessante dessa região: “Uma característica peculiar do sistema local de CT&I de São Carlos é a tradição em transferência de conhecimento da universidade para as empresas, por meio de processos virtuosos e continuados de interação universidade-empresa”
A cidade é destaque na produção de artigos científicos nas áreas de Ciências dos materiais, Química, Engenharia, Matemática e Física, além de ter em seu território centros de tecnologia ligados a uma empresa importante – o Centro Tecnológico da TAM.
Falando em aviação, o maior pólo tecnológico no setor aeronáutico e espacial do Brasil se encontra na cidade de São José dos Campos – o tecnopolo aeroespacial brasileiro -, ligado à indústria aeronáutica e à Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A.). E, claro, isso é possível pela existência de uma estrutura de CT&I importante na região, que dá suporte às atividades de inovação da área.
Ele nasceu dos esforços do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em conjunto com o Centro Tecológico Aeroespacial (CTA), o Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e o Instituto de Aeronáutica e Espaço…quantos institutos!
Todas as pesquisas produzidas nessas cidades fazem com que o interior do estado de São Paulo seja responsável por um quarto da produção científica do país!





